
Os combustíveis puxaram a inflação em São Paulo em março, segundo o Índice de Preços no Varejo (IPV), medido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio). O indicador subiu 0,38% em relação a fevereiro. Desse total, 0,26 ponto percentual (68,42% do índice) se deve ao aumento nos preços no segmento de combustíveis e lubrificantes.
Em março, o setor de combustíveis teve alta de 2,96%, sendo que a elevação do preço do etanol foi a que mais pesou no resultado. O valor do álcool combustível ficou, em média, 11,7% maior do que em fevereiro. De acordo com a Fecomercio, ao contrário do que se esperava, o impulso registrado no preço do etanol não pode ser contido com a antecipação da safra de cana-de-açúcar, pois o excesso de chuvas impediu o início da moagem.
O álcool anidro também ficou mais caro no mês passado, pressionando o preço da gasolina, que subiu 1,95% ante fevereiro. O anidro é misturado numa proporção de 25% à gasolina. Segundo a Fecomercio, a crescente demanda deve fazer com que o Brasil tenha de importar gasolina.
Outro setor que contribuiu para a elevação do IPV em março foi o de supermercados. Os preços dos produtos deste segmento, que haviam registrado queda de 0,39% em fevereiro, tiveram alta de 0,1% no mês passado. Por outro lado, o valor das carnes compradas em açougues recuou, em média, 0,63% em março. Na avaliação da Fecomercio, esse declínio se deve à redução da demanda no mercado externo que, além de pressionar o preço, possibilitou uma alta na oferta para o mercado interno.
Para os próximos meses, a Fecomercio destaca que os preços do setor de vestuários devem subir, com a chegada das coleções de outono-inverno. O preço dos medicamentos também deve subir, pois 31 de março foi a data-base para o reajuste no setor. O IPV acumulou alta de 0,81% no primeiro trimestre de 2011 e de 4,54% nos últimos 12 meses.
Focus – O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2011, segundo o boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC). De acordo com a pesquisa, a expectativa para a inflação oficial neste ano subiu de 6,29% para 6,34%, em um patamar ainda mais distante do centro da meta, que é de 4,5%. A meta tem margem de tolerância de dois pontos, para cima ou para baixo.
Os analistas mantiveram a projeção para a inflação em 2012 em 5%. No caso da inflação de curto prazo, o mercado elevou de 0,7% para 0,79% a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril de 2011. Com relação à inflação de maio, a taxa prevista passou de 0,42% para 0,41%.
O mercado financeiro manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, em 4%, segundo o Focus. Para o ano que vem, a projeção para o crescimento da economia recuou de 4,25% para 4,21%. Também não mudou a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, de 12,25% ao ano no fim de 2011, e de 11,75% ao ano em 2012.
Preocupação – A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o governo está no "combate acirrado" à inflação. Em rápida entrevista após ser vacinada contra a gripe e promover o início da campanha nacional da vacinação, no Palácio do Planalto, Dilma disse que o governo está atento.
"Nós temos muita preocupação com a inflação. Não haverá, em hipótese alguma, desmobilização do governo diante da inflação", afirmou. "Todas as nossas atenções estarão voltadas para o combate acirrado à inflação", garantiu a presidente.