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EUA admitem ter torturado presos para achar Bin Laden e que o encontraram desarmado

O diretor da CIA confirmou o uso de técnicas coercitivas, como afogamento simulado, em prisões secretas. Já o porta-voz da Casa Branca reconheu que o terrorista estava sem armas ao ser abatido


Os Estados Unidos usaram técnicas de tortura com prisioneiros para descobrir o paradeiro do terrorista Osama Bin Laden. A informação foi confirmada pelo diretor da agência de inteligência americana (CIA), Leon Panetta. A Casa Branca admitiu ainda ter encontrado o líder da rede Al Qaeda desarmado no esconderijo em Abbottad, a 115 quilômetros da capital paquistanesa.


Em entrevista à rede de televisão NBC, na terça-feira 2, Panetta admitiu ter submetido detentos de prisões secretas da CIA a “afogamentos simulados”, mas ressaltou que as pistas que levaram as forças americanas a encontrarem o esconderijo de Bin Laden vieram de “muitas fontes”, e não apenas dessa técnica.


“Neste caso, as técnicas de interrogatório coercitivas foram usadas contra alguns desses prisioneiros. Quanto ao debate sobre se poderíamos ter obtido as mesmas informações por outros meios, acho que esta sempre será uma questão em aberto”, completou. Panetta também confirmou à emissora americana que, dentre as “técnicas de interrogatório coercitivas”, estava incluído a polêmica técnica de afogamento simulado, que consiste em amarrar um pedaço de pano ou plástico na boca do interrogado e, na sequência, derramar água sobre o seu rosto.


Já o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, adimtiu em sua entrevista coletiva diária que Bin Laden não estava armado ao ser encontrado na mansão de Abbottabad. Mesmo assim, garante que o líder da Al Qaeda resistiu à sua captura. Por isso, teriam ocorrido os disparos. De acordo com o funcionário do governo americano, uma das esposas do terrorista começou a correr e foi alvejada na perna. Bin Laden recebeu vários disparos na cabeça e no peito. Embora não tivesse armas com ele, sustenta Carney, “não é necessário estar armado para resistir”.


Reação paquistanesa
O ministro das relações exteriores do Paquistão, Salman Bashir, protestou contra as declarações de funcionários do governo americano, que afirmaram desconfiar da ajuda do governo do Paquistão a Bin Laden e não comunicaram as autoridades do país sobre a operação com antecedência. Em entrevista à rede BBC, Bashir disse que esta visão é “desconcertante” e que seu país teve um “papel fundamental” na luta contra o terrorismo e cooperou amplamente com os Estados Unidos.


Em entrevista à revista Time, o diretor da CIA, Leon Panetta, havia dito que os Estados Unidos temiam que o Paquistão colocasse em risco a operação que levou à morte de Osama Bin Laden ao vazar informações para a rede extremista Al Qaeda.


Foi decidido que qualquer esforço para trabalhar com os paquistaneses poderia colocar em risco a missão. Eles poderiam alertar os alvos”, disse o diretor da CIA à revista.



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