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Sábado, 19 de Maio de 2012

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Holland critica ‘indústria do resultado primário’

O secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse nesta quarta-feira, 4, que o governo tem realizado superávits primários acima do que seria o montante necessário à manutenção da estabilidade da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, a economia do governo tem sido entre 1 ponto porcentual e 1,2 pp acima do exigido para manter a relação constante. Se o objetivo fosse apenas manter a estabilidade da relação dívida/PIB, Holland disse que o superávit deste ano poderia ser em torno de 1,7% do PIB. A meta de 2011, embora nominal, representa cerca de 2,9% do PIB.


Em sua primeira entrevista coletiva, o secretário disse que a crise financeira internacional interrompeu a discussão sobre déficit nominal zero. Para ele, este é um mito que acabou. "Naturalmente o primário vai convergir para o nominal", afirmou.


Holland informou que criou na SPE uma subsecretaria de política fiscal e tributária para acompanhar a qualidade do resultado fiscal do governo. "Não se pode falar em superávit sem qualidade fiscal e melhoria dos gastos do governo", disse. Ele criticou o que chamou da "indústria do resultado primário", onde o governo estabelece a meta e se encarrega do "delivery". "Tão importante quanto gerar superávit é ter qualidade fiscal", defendeu.


2012


O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou que 2012 será um ano mais fácil de o governo "manipular a macroeconomia" do que em 2011. Ele explicou que este ano a economia foi muito sujeita a choques, além de ter de conviver com o ainda fraco crescimento econômico de Estados Unidos e Europa e com a expansão de liquidez promovida pelo governo norte-americano. "2011 não é um ano de crise, mas um ano de muita adversidade, de acomodação", disse Holland.


Para o secretário, a Europa deve promover um aumento mais rápido das taxas de juros, o que já ajuda no processo de normalização da liquidez internacional, e também, em 2012, tanto o velho continente como os Estados Unidos devem dar maior contribuição para um ambiente econômico mais saudável com um crescimento maior e de redução na liquidez externa. Esse ambiente internacional previsto para 2012 favorece a gestão macroeconômica no Brasil, que hoje tem que lidar com as pressões inflacionárias e cambiais decorrentes dos desequilíbrios provocados pelo mundo desenvolvido.



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