
Os estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aumentaram a sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de riquezas do País – em até quatro pontos percentuais em 2008, ano de economia aquecida até o terceiro trimestre, quando foi deflagrada a crise financeira global. Naquele mesmo ano, a participação no PIB dos estados do Sul e do Sudeste decresceu de três a sete pontos percentuais.
O dado, divulgado ontem, consta da pesquisa anual Contas Regionais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, estados do Norte e do Centro-Oeste tiveram aumento de quatro pontos percentuais entre 2002 e 2008. No Nordeste, o crescimento foi menor, de apenas um ponto percentual. O desenvolvimento dessas regiões ocorreu de forma lenta e gradual, ao longo de seis anos.
Para o gerente de Contas Regionais do IBGE, Frederico Cunha, a participação no PIB é uma fotografia da estrutura produtiva dos estados. Ele explica que o crescimento maior no Norte e no Centro-Oeste foi impulsionado pela agropecuária e pela indústria.
"Com o avanço da fronteira agrícola, houve o aumento das classes consumidoras. A chegada de uma indústria mexe muito na economia dos estados pequenos, mas não faria muita diferença em um de porte maior, como São Paulo", afirmou Cunha.
Destaques – Segundo o gerente, Goiás (GO) e Mato Grosso (MT), no Centro-Oeste, foram os que mais cresceram em volume (produção) e em participação (valor) no PIB. Em Goiás, essa alta foi de cinco pontos percentuais na produção agropecuária, puxada pela especialização na produção de grãos, de cana-de-açúcar e de álcool e de oito pontos percentuais referentes à indústria.
Em Mato Grosso (MT), o crescimento foi de seis pontos percentuais em atividade agropecuária e de três pontos relativos à indústria de matérias-primas. O resultado de 2008 também foi atribuído ao preço alto das commodities.
Em termos de crescimento real, Piauí (PI) teve o maior aumento no PIB, de 8,8%, embora sua participação no total nacional seja de apenas 0,6%.
Queda – A participação de São Paulo no PIB diminuiu de 33,9%, em 2007, para 33,1% em 2008. Segundo Cunha, o fator responsável por essa queda no ranking foi a redução tanto dos preços da cana-de-açúcar e da laranja, quanto do desempenho da indústria de transformação e da participação de serviços de intermediação financeira no País.
"Os dois últimos fatores têm relação com a crise econômica global, no final de 2008", avaliou. Mesmo assim, São Paulo e estados maiores, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, continuam puxando o crescimento do PIB brasileiro.
Pela primeira vez, o PIB paulista atingiu a cifra de R$ 1 trilhão. "São Paulo perdeu mas não deixou de ser gigante. Os vários anos de guerra fiscal e incentivos de outros estados para a indústria automobilística fizeram com que os menores crescessem", disse Cunha.
Em busca de novos negócios
O crescimento expressivo da participação dos estados das regiões Norte e Centro-Oeste no Produto Interno Bruto (PIB) puxa o comércio e os serviços. De acordo com o gerente de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Frederico Cunha, mais empresas devem migrar para essas regiões com o objetivo de prestar serviços às indústrias, às empresas e às famílias residentes. "A construção civil, por exemplo, cresceu nesses estados", afirmou.
A locadora de veículos Budget Rent a Car já está de olho no movimento de turistas durante os jogos da Copa do Mundo de 2014, em Cuiabá (MT) e em Manaus (AM) – e também no número crescente de engenheiros, geólogos, auditores e especialistas que viajam a essas regiões para vistoriar obras. A empresa começa a prestar o serviço em Manaus, Macapá (AP), Belém (PA) e Porto Velho (RO) no primeiro semestre de 2011.
O diretor de marketing da Budget Rent a Car, Jon Aboitiz, disse que procura candidatos para abrir franquias em Cuiabá, Goiânia e Campo Grande. "Especialmente em Cuiabá, que será cidade-sede da Copa." Segundo ele, essas regiões do País são atraentes porque têm potencial turístico e passam por investimentos públicos e privados. "Só no Pará, os investimentos em projetos públicos e privados são da ordem de R$ 31 bilhões nos próximos cinco anos", afirmou.
De acordo com o diretor, o custo de uma franquia é variável, dependendo do tamanho do território. O valor potencial por cidade varia de R$ 50 mil a R$ 150 mil. (RT)
Índice de atividade mostra reação
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,69% em setembro na comparação com agosto na série dessazonalizada, de acordo com os dados divulgados ontem pelo BC. O indicador que busca antecipar os dados sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) e que serão divulgados com vários meses de defasagem pelo IBGE ficou em 140,16 pontos em setembro, ante 139,2 pontos verificados em agosto.
Os números mostram que, após estabilidade nos últimos meses, a economia reage com mais força . O índice apresentou em setembro o melhor desempenho mensal desde março de 2010, quando cresceu 1,11% nessa base de comparação.
O levantamento do BC mostra que, na média, o IBC-Br do terceiro trimestre de 2010 ficou em 139,51 pontos, em patamar 0,35% superior ao registrado no segundo trimestre de 2010, quando a média ficou em 139,03 pontos. Se a comparação trimestral for feita com os três meses anteriores (terminados em agosto), houve alta de 0,29%, já que a média de junho a agosto ficou em 139,11 pontos.
Os dados divulgados pelo BC mostram ainda que a média do IBC-Br do terceiro trimestre foi 6,79% maior que a registrada em igual período de 2009, quando o índice ficou em 130,65 pontos.
Na média dos 12 meses encerrados em setembro, o índice da autoridade monetária subiu 8,03% na comparação com a média dos 12 meses anteriores. Já na comparação do resultado mensal entre os meses de setembro de 2010 e 2009, o IBC-Br mostra alta de 6,12%.